quinta-feira, 11 de março de 2010

07

É no suspiro final que as luzes se apagam para caíres ao chão. O sangue que mancha o lenço branco que aquece os últimos momentos da tua existência chora na certeza de nunca mais te voltar a ver. E não há música, nem olhares piedosos, não há gritos de alarme nem tons de preocupação. A indiferença marca a continuação do ódio e a intolerância guia o mundo na cega razão de que as grandes premissas têm sempre que sair vencedoras.

Posso perguntar porquê, mas tenho a certeza de que a resposta nunca me satisfará. Posso perguntar de novo, sempre confiante de que os pontos de vista nunca irão convergir. Na eterna hipocrisia dos olhares acusadores e dos gestos mortais questiono-me se alguma vez haverá vencedores e vencidos na corrida ao mesmo motivo pelo qual todos aqui estamos.

Perder os sentidos neste espaço é como cair num vazio frio com cheiro a morte, onde o tacto apenas encontra o corpo inerte que exala memórias outrora insignificantes. Não vás ainda, não cedas ao espaço que te consome nem ao tempo que te arrasta para longe daqui. Não os deixes vencer-te, não lhes dês a luta que querem, nem o sangue que anseiam derramado sobre todos os lenços e a escorrer pelas ruas, exposto e ridicularizado por todos aqueles que anseiam que desapareças, que caias num buraco fundo e que fiques para sempre debaixo da terra, longe dos seus olhares.
Levanta-te, arranja o lenço (agora escarlate) e continua, porque afinal de contas esta ainda é a melhor noite da tua vida.

2 comentários:

PEDRO PINA disse...

existem lenços k se guardam pra sempre secretamente!

Yor - Surprise me disse...
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